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Setembro Amarelo: saúde mental no trabalho também é responsabilidade da empresa

Setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância de falar sobre saúde mental. No ambiente corporativo, porém, o tema vai além de uma campanha de conscientização: a forma como o trabalho é organizado também pode influenciar diretamente o bem-estar dos colaboradores.

Para as empresas, essa discussão ganhou ainda mais relevância com as mudanças relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Saúde mental também faz parte da gestão de riscos

Fatores como excesso de trabalho, pressão constante, falta de autonomia, jornadas desgastantes, conflitos, assédio e ausência de apoio adequado podem contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.

A própria legislação trabalhista e as normas de saúde e segurança vêm ampliando a atenção sobre esses fatores. A NR-1 passou a contemplar os riscos psicossociais dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais, trazendo para as empresas a necessidade de olhar para aspectos da organização do trabalho que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

O assunto ganhou novos desdobramentos em agosto de 2026. O STF suspendeu a aplicação de sanções relacionadas à exigência, mas manteve a necessidade de identificação dos riscos psicossociais, o que demonstra que o tema continua presente na agenda de saúde e segurança do trabalho.

Isso significa que falar sobre saúde mental no trabalho não deve ser apenas uma ação pontual durante o Setembro Amarelo. É necessário pensar em prevenção e em como a própria organização pode contribuir para um ambiente mais saudável.

O que são riscos psicossociais?

Os riscos psicossociais estão relacionados à maneira como o trabalho é organizado e às condições em que ele é realizado.

Entre os exemplos que podem merecer atenção estão:

  • excesso de demandas e pressão;
  • jornadas excessivas;
  • falta de clareza sobre responsabilidades;
  • cobranças incompatíveis com os recursos disponíveis;
  • conflitos constantes;
  • situações de assédio;
  • falta de autonomia;
  • comunicação inadequada;
  • ausência de equilíbrio entre demandas e capacidade de execução.

É importante destacar que identificar um risco não significa, automaticamente, que a empresa tenha cometido uma irregularidade. O gerenciamento adequado envolve avaliar as condições existentes, identificar situações de risco e adotar medidas preventivas quando necessário.

E onde entra a responsabilidade da empresa?

A empresa possui responsabilidade pela manutenção de um ambiente de trabalho seguro e saudável. Isso envolve não apenas os aspectos físicos do ambiente, mas também fatores relacionados à organização do trabalho.

Por isso, empresas que desejam atuar de forma preventiva devem considerar questões como políticas internas, canais de comunicação, prevenção e combate ao assédio, organização das jornadas e capacitação das lideranças.

Também é importante que situações relatadas pelos colaboradores sejam tratadas com seriedade e que existam procedimentos adequados para lidar com conflitos e possíveis casos de assédio ou adoecimento relacionado ao trabalho.

Setembro Amarelo pode ser mais do que uma campanha

Uma palestra ou uma publicação sobre saúde mental pode ser importante, mas não substitui medidas estruturais.

A campanha pode ser justamente uma oportunidade para a empresa perguntar:

Como estamos cuidando das condições de trabalho oferecidas aos nossos colaboradores?

Essa reflexão pode ajudar a identificar problemas antes que eles se transformem em conflitos trabalhistas, afastamentos ou situações mais graves.

Além disso, investir em prevenção não significa apenas reduzir riscos jurídicos. Um ambiente de trabalho saudável também pode contribuir para relações profissionais mais equilibradas, melhor comunicação e maior qualidade de vida.

Prevenção também é uma responsabilidade jurídica

A saúde mental no ambiente de trabalho está cada vez mais conectada às discussões sobre responsabilidade empresarial, saúde e segurança ocupacional e relações trabalhistas.

Por isso, empresas não precisam esperar que um problema aconteça para buscar orientação.

O acompanhamento jurídico preventivo pode ajudar a identificar riscos, revisar políticas internas, orientar gestores e estabelecer procedimentos adequados para situações que envolvam saúde mental, assédio e organização do trabalho.

Neste Setembro Amarelo, mais do que falar sobre saúde mental, é importante olhar para as condições que podem favorecer ou prejudicar o bem-estar dentro das organizações.

Cuidar das pessoas também faz parte de uma gestão empresarial responsável.

Olá, precisa de ajuda?